Prática regular de mindfulness tem potencial para impactar na longevidade

Prática regular de mindfulness tem potencial para impactar na longevidade



Ao melhorar nossa saúde mental e a relação com os fatores de estresse, a prática regular e de longo prazo de mindfulness (atenção plena) tem potencial para impactar positivamente na longevidade, mantendo o tamanho de nossos telômeros.

Um estudo recente (2020) de revisão do tipo “meta-análise” (que são os mais confiáveis por juntarem vários estudos numa conclusão estatística única) mostrou concretamente o impacto da prática regular e de longo prazo de mindfulness e meditação na manutenção do tamanho dos “telômeros”.

O comprimento dos telômeros é um indicador biológico do envelhecimento celular. Os telômeros são como “capas protetoras de proteínas” nas extremidades de nosso DNA (material genético). Quanto maiores os telômeros, mais vezes uma célula pode se dividir, o que traduz a longevidade no nível biológico.

O encurtamento dos telômeros acontece naturalmente à medida que envelhecemos, podendo ser acelerado pelo estresse crônico, acelerando consequentemente o processo de envelhecimento. Ainda, o encurtamento de nossos telômeros pode predizer o aparecimento de várias doenças, incluindo hipertensão, diabetes, câncer, doenças do
coração e demência.

Por outro lado, avanços na área da saúde, associados ao maior conhecimento sobre um estilo de vida mais saudável (nutrição, exercícios, e gerenciamento do estresse) têm impulsionado nossa capacidade de aumentar a longevidade e a qualidade de vida, influenciando também no tamanho dos telômeros.

O que essa pesquisa de 2020 demonstrou com dados coletados de vários estudos foi que a prática regular da meditação e de mindfulness, de longo prazo (por vários anos), podem prevenir esse processo, às vezes até aumentando o tamanho de nossos telômeros. E que quanto mais praticamos, maiores os efeitos.

Uma outra pesquisa de nosso grupo discutiu que esses efeitos positivos na longevidade podem estar relacionados ao melhor manejo do estresse no dia a dia, como também podem ser influenciados pelo aumento na percepção de “humanidade compartilhada”.

A “humanidade compartilhada” é a capacidade de estarmos mais conectados com a
realidade de vida de outros seres humanos (especialmente frente aos momentos de malestar ou sofrimento), habilidade que também é desenvolvida com a prática regular de
mindfulness, por meio do que chamamos de “atitude compassiva”.

Vamos praticar?

Mande sua pergunta: Se você tem alguma dúvida ou curiosidade sobre mindfulness, atenção plena, ou neurociência do comportamento, por favor me escreva que terei prazer em abordar seu tema em textos futuros: demarzo@unifesp.br

Referência:

Demarzo & Garcia-Campayo. Manual Prático de Mindfulness: curiosidade e aceitação. Editora Palas Athena, 2015.

Para saber mais sobre mindfulness:

www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde – UNIFESP)

www.webmindfulness.com (WebMindfulness – Grupo de Pesquisa Coordenado pelo Prof. Javier García-Campayo – Universidad de Zaragoza, informações em espanhol)

www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação “Mindfulness” na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, informações em inglês)

 

Fonte – Uol

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