Não saia praticando mindfulness sem antes avaliar estes três pontos

Não saia praticando mindfulness sem antes avaliar estes três pontos



A rápida expansão das práticas de mindfulness no Ocidente trouxe uma popularização sem precedentes do tema. Uma pesquisa recente estimou que aproximadamente 17% dos europeus têm praticado a atenção plena regularmente; sendo que nos Estados Unidos os números atuais giram em torno de 12% de praticantes. No Brasil, não temos números oficiais, mas o interesse tem sido exponencial. Isso quer dizer que um número cada vez maior de pessoas tem começado a praticar mindfulness, a maioria sem conhecimentos prévios sobre o tema. Se por um lado isso é um dado fascinante, haja vista os benefícios potenciais, por outro lado,
emerge cada vez mais a preocupação com a segurança desse enorme número de pessoas que tem se iniciado em mindfulness
todos os anos, milhões de pessoas na verdade.

Por que falar de segurança e risco na prática de Mindfulness?

Como já havia comentado em um post anterior, a prática de mindfulness é bastante segura, em especial nos programas contemporâneos e laicos de 8 semanas, por serem desenhados especificamente para praticantes iniciantes. Mas não é totalmente
isenta de riscos, principalmente se for mal empregada. Podem ocorrer desde “efeitos colaterais” , em geral sensações físicas ou emocionais desconfortáveis, leves e temporárias, que podem surgir ocasionalmente durante a prática em principiantes, até efeitos adversos um pouco mais complicados, como a piora de sintomas de ansiedade e depressão, em vez de melhorá-los.

Mas como isso pode ser possível?

A resposta é que alguns fatores fundamentais devem ser levado em consideração ao se iniciar uma prática de mindfulness, a fim de evitar os riscos desnecessários. A vulnerabilidade pessoal, o tipo de prática e programa e a qualificação do instrutor ou professor são aspectos importantes. A seguir, comento brevemente cada um deles:

A vulnerabilidade pessoal se refere às características individuais que possam predispor ao risco. Nesse caso, não se recomenda
que pacientes que estejam no início do tratamento para qualquer condição médica geral ou psiquiátrica comecem um grupo de
mindfulness sem orientação de um terapeuta. Isso se justifica pelo fato de os sintomas poderem estar muito intensos, ou pela
necessidade de ajuste de tratamentos. Pessoas com esquizofrenia, transtornos de personalidade em geral e epilepsia são outras situações nas quais a liberação do terapeuta é fundamental para início das práticas.

Somado à vulnerabilidade individual, a escolha do tipo correto de programa e práticas mais adequadas para o perfil de cada um é
muito importante. Sabe-se que técnicas meditativas que requerem muita concentração e praticadas por longos períodos de tempo (mais comum em retiros intensivos) podem predispor a mais efeitos colaterais e adversos, em especial em pessoas vulneráveis. Por outro lado, existem programas específicos e apropriados para vulnerabilidade específicas, como os programas adaptados a pessoas com epilepsia, esquizofrenia, e aquelas com transtorno de personalidade do tipo “borderline”.

Por fim, escolher um instrutor ou professor qualificado é fundamental, em especial para pessoas com as vulnerabilidades que apontei anteriormente. Um instrutor qualificado é aquele que passou por uma formação profissional específica em mindfulness,
fornecida por um centro formador reconhecido. A formação profissional em mindfulness, que dura minimamente um ano, habilita o instrutor a ministrar os programas, conduzir as práticas de mindfulness de maneira correta e adequada, e entender os limites e necessidades de cada novo praticante.

Se todos esses fatores estiverem equilibrados, a segurança dos praticantes está garantida e os benefícios virão naturalmente com
a prática regular.

REFERÊNCIAS:

Cebolla, Demarzo, Martins, Soler & Garcia-Campayo. Unwanted effects: Is there a negative side of meditation? A multicentre
survey. Plos One, 2017.

PARA SABER MAIS SOBRE MINDFULNESS

www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde – UNIFESP)

www.webmindfulness.com (WebMindfulness – Grupo de Pesquisa Coordenado pelo Prof. Javier García-Campayo – Universidad de Zaragoza, informações em espanhol)

www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação “Mindfulness” na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos,
informações em inglês)

Todos os direitos reservados © 2019 - 2020

Site desenvolvido por