Meditar é deixar a “ mente em branco” ?

Meditar é deixar a “mente em branco”?



Nem sempre meditar significa deixar a mente em branco. Em especial nas técnicas de mindfulness (atenção plena) a reposta é “não”. Explico o porquê:

Ao praticarmos mindfulness, como já comentei em outros posts, não devemos ter nenhuma expectativa especial, e entre elas está uma das expectativas mais comuns, a de “deixar a mente em branco” (“não ter pensamentos”).

Um dos problemas dessa “falsa” expectativa é que muitas vezes as pessoas deixam a prática de mindfulness porque não atingem a tal “mente em branco”, e acabam não se beneficiando das técnicas.

A questão é que a mente sempre produzirá pensamentos, faz parte da natureza da mente produzir pensamentos, e não há problema nenhum nesse fato em si. O que na verdade a prática de mindfulness nos ajuda é criar a habilidade de nos tornarmos mais consciente do processo do pensamento e das emoções (é diferente de deixar de pensar ou de sentir).

Assim, durante as meditações do tipo mindfulness, não há o objetivo de “limpar” os pensamentos, mas sim, de manejá-los de outra perspectiva. Durante as técnicas em si, o que faremos efetivamente é observar que a mente se distraiu em pensamentos, e poder voltar à percepção do corpo, ou seja, os pensamentos fazem parte do exercício (veja o passo a passo de uma prática de mindfulness clicando aqui).

É libertador saber que mesmo entre aqueles que praticam mindfulness há bastante tempo é frequente que a mente possa divagar ao surgir alguma distração, pensamento, sentimento ou preocupação. Como expliquei, nessas situações, toma-se consciência de
que a mente está dispersa e, com gentileza (a gentileza aqui é muito importante, senão caímos na autocrítica), deixar que as distrações passem, sem se irritar, sem julgá-las ou rejeitá-las e, lentamente, volta-se a atenção para o corpo, por exemplo, à respiração.

Assim, é uma ideia errônea pensar que quando nos distraímos perdemos mindfulness. De fato, o momento mais importante da meditação é quando nos damos conta de que a mente abandonou seu objeto e fazemos com que volte a ele, o que precisamente é um momento “mindful” ou de atenção plena.

Vamos praticar?

REFERÊNCIA:

Demarzo & Garcia-Campayo. Manual Prático de Mindfulness: curiosidade e aceitação. Editora Palas Athena, 2015.

PARA SABER MAIS SOBRE MINDFULNESS

www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde – UNIFESP)

www.webmindfulness.com (WebMindfulness – Grupo de Pesquisa Coordenado pelo Prof. Javier García-Campayo – Universidad de Zaragoza, informações em espanhol)

www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação “Mindfulness” na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, informações em inglês)

 

Fonte – UOL

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