Mindfulness Brasil

Atenção plena é opção de tratamento para depressão e prevenção do suicídio



A aplicação de mindfulness (atenção plena) para a depressão maior, em especial para pacientes com muitas recaídas, já é uma política pública na Inglaterra, ajudando também na prevenção do suicídio

As pessoas diagnosticadas com depressão respondem muito bem ao treinamento de mindfulness (atenção plena, saiba mais sobre mindfulness), obtendo uma melhoria significativa nos sintomas e na qualidade de vida.

Estudos mais recentes mostram que o programa de Terapia Cognitiva baseada em Mindfulness (MBCT em inglês) é inclusive mais eficaz do que o tratamento com antidepressivos em alguns casos (pessoas mais vulneráveis), sem aumentar o custo médio do tratamento.

Como sabemos, pessoas com história de depressão, e em especial, aquelas pessoas que estejam atualmente com sintomas de depressão, têm risco aumentado de terem pensamentos suicidas, e de efetivamente tirarem suas vidas.

Assim, a principal maneira que mindfulness pode ajudar na prevenção do suicídio é atuando na diminuição dos sintomas de depressão, e vários estudos científicos, bem elaborados e consistentes, têm mostrado os efeitos positivos da prática de mindfulness na prevenção e tratamento da depressão.

Com base nesses estudos, desde 2004 os programas de mindfulness são uma política pública no Reino Unido (Inglaterra, País de Gales, Irlanda do Norte e Escócia). A partir de então, pacientes com depressão maior têm acesso às essas intervenções no sistema pública de saúde (National Health Services – NHS – correspondente ao nosso SUS), em especial aqueles com risco aumentado de recaídas e recorrências.

Como disse, os efeitos são especialmente benéficos em pessoas mais vulneráveis, em especial indivíduos que já foram deprimidos no passado, e que têm padrões de pensamentos que chamamos de “mal adaptativos” ou disfuncionais, ou seja, são pessoas excessivamente reativas a eventos negativos de vida, mesmo que esses sejam de menor importância.

O treinamento em mindfulness, mesmo que por técnicas simples como a prática de 3 passos de mindfulness, pode nos ajuda a lidar com esses pensamentos disfuncionais, permitindo que possamos observá-los apenas como “pensamentos”, e não como “fatos” reais, o que chamamos de “descentramento” ou habilidade metacognitiva.

Essa capacidade nos possibilita que possamos ver pensamentos (e as emoções associadas) não como “fatos” ou “realidades”, e sim apenas como “eventos mentais”.

Assim, numa situação que emerjam pensamentos negativos depreciativos, muito comuns na depressão (do tipo “eu não valho nada”), a pessoa pode perceber o erro de avaliação, e prevenir o quadro de ruminação mental (pensamentos repetitivos negativos e autodepreciativos).

Ou, de maneira mais simples, a possibilidade de termos consciência de nós mesmos e de nossos padrões mentais. E assim podemos prevenir a cadeia de eventos que podem gerar os episódios de depressão, e assim, diminuir também o risco de suicídio, em especial nas pessoas vulneráveis.

No caso de pacientes com depressão recorrente, os treinamentos de 8 semanas de mindfulness são os mais indicados, principalmente o programa MBCT, como citei, que mistura os exercícios de mindfulness com estratégias comportamentais e cognitivas já consagradas no campo da psicologia e psiquiatria.

Vamos praticar?

Mande sua pergunta: Se você tem alguma dúvida ou curiosidade sobre mindfulness, atenção plena, ou neurociência do comportamento, por favor me escreva que terei prazer em abordar seu tema em textos futuros: demarzo@unifesp.br

Referência:

Demarzo & Garcia-Campayo. Manual Prático de Mindfulness: curiosidade e aceitação. Editora Palas Athena, 2015.

Para saber mais sobre mindfulness:

www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde – UNIFESP)

www.webmindfulness.com (WebMindfulness – Grupo de Pesquisa Coordenado pelo Prof. Javier García-Campayo – Universidad de Zaragoza, informações em espanhol)

www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação “Mindfulness” na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, informações em inglês)

 

 

Fonte – UOL

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