Os treinamentos em mindfulness (atenção plena) incluem algumas técnicas de meditação, mas os objetivos são muito mais amplos que apenas aprender a meditar
Aprender mindfulness (atenção plena), por exemplo, num curso de 8 semanas, não significa aprender a meditar, como se costuma pensar.
Significa, na verdade, que ao treinarmos regularmente mindfulness vamos aprender a estar um pouco mais conscientes e menos reativos e impulsivos ao estresse do dia a dia, usando o estado mental de atenção plena como ferramenta.
Mindfulness é um dos estados de nossa mente, acessível a qualquer um de nós, mas pouco utilizado hoje em dia. Podemos entendê-lo como a mente num estado de atenção (foco) no que se está fazendo ou vivendo (usando de preferência todos os 5 sentidos), incluindo a melhor percepção de nossos padrões mentais (pensamentos) e emoções.
Implica também numa atitude mental que chamamos de “mente de principiante”, que nos ajuda a manter uma observação curiosa e aberta frente à vida.
O estado de mindfulness seria então como um como um antídoto a viver desatento, no modo mental de “piloto automático” (aproximadamente 50% do tempo não estamos atentos ao que estamos fazendo), tendendo a reagir sem consciência às situações e
fatores de estresse e mal-estar.
Para se treinar esse estado mental temos várias técnicas (chamamos de práticas), e, entre as técnicas, a meditação é uma das mais utilizada para se treinar o estado mental de mindfulness.
Por outro lado, nem todos os tipos de meditação são usados para se treinar mindfulness, apenas aqueles que usam exercícios atencionais (treinamento da atenção), e que sejam simples e desprovidos de conteúdo religioso ou espiritual, pois a ideia é que sejam acessíveis a qualquer pessoa, independente de crenças e credos.
A técnica meditativa mais clássica e conhecida é aquela na qual usamos a própria respiração para o treino da atenção plena (chamamos de “mindfulness da respiração” – clique no link para aprender algumas dessas técnicas).
É curioso saber que algumas pessoas têm mais facilidade para entrar no estado de mindfulness, e as pesquisas mostram que aproximadamente 30% da capacidade de acessar mindfulness no dia-a-dia tem influência genética (depende de nossos pais).
A boa notícia é que 70% dessa capacidade é adquirida, ou seja, podemos treiná-la e cultivá-la usando técnicas e práticas específicas, como a meditação.
Portanto, a meditação é apenas uma das técnicas para se acessar e treinar o estado mental de mindfulness, umas das mais utilizadas, mas nem todos os tipos de meditação estão associados ao desenvolvimento de mindfulness.
Da mesma maneira, o objetivo final dos treinamentos em mindfulness não é (apenas) ensinar as pessoas a meditarem, mas sim que elas desenvolvam a capacidade de usarem o estado de mindfulness no dia a dia, e assim possam gerenciar melhor o estresse e desafios cotidianos, tendo mais bem-estar e qualidade de vida ao longo do tempo.
Vamos praticar?
Se você tem alguma dúvida ou curiosidade sobre mindfulness, atenção plena, ou neurociência do comportamento, por favor me escreva que terei prazer em abordar seu tema em textos futuros: demarzo@unifesp.br
García-Campayo, Demarzo & Modrego-Alarcón. Bienestar emocional y mindfulness en la educación. Madrid: Alianza Editorial, 2017.
www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde – UNIFESP)
www.webmindfulness.com (WebMindfulness – Grupo de Pesquisa Coordenado pelo Prof. Javier García-Campayo – Universidad de Zaragoza, informações em espanhol)
www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação “Mindfulness” na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, informações em inglês)
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