A inteligência emocional é uma capacidade cada vez mais valorizada em todos os setores da vida, especialmente no familiar e de trabalho. Ela envolve uma série de fatores –como empatia, motivação, e autogestão, por exemplo, sendo que a base sempre é a autoconsciência, ou a habilidade de se conhecer e perceber em termos de padrões de pensamentos, sentimentos e emoções. E é exatamente nesse aspecto que as práticas de mindfulness são fundamentais, e peças-chave nos programas e treinamentos de inteligência emocional.
Os autores Salovey & Mayer definem a inteligência emocional como “a capacidade de uma pessoa monitorizar e discriminar os seus próprios sentimentos e emoções, assim como os de outras pessoas, e usar esta informação para guiar o seu próprio pensamento e ação.” A questão é que monitorizar e discriminar pensamentos e emoções não é uma coisa simples ou banal, pois não estamos acostumados ou treinados a fazer isso. O mais comum é nos envolvermos rapidamente com nossos pensamentos no “piloto automático”, no sentido de nos “colarmos” com eles, sem perceber se são úteis ou não.
Além disso, é comum que tenhamos pouca familiaridade com nossos sentimentos e emoções, em especial com as negativas, como raiva e tristeza, sendo habitual querermos nos livrar rapidamente, ou fingir que não estão presentes. Um exemplo disso é quando comemos emocionalmente, ou seja, “abrimos a geladeira” como uma alternativa a não entrar em contato com a tristeza ou raiva.
Assim, muitas vezes acabamos nos tornando “escravos” de nossos próprios pensamentos e emoções, sem muito controle (ou autogestão) sobre os mesmos. No dia a dia, isso nos leva a ter reações automáticas e pouco eficientes, como no caso de brigar com alguém no trânsito, em vez de nos percebermos com raiva. Fazendo isso, poderíamos conscientemente ligar o som do rádio, evitando o reagir agressivo.
Um dos caminhos mais efetivos e reconhecidos internacionalmente é o treinamento da atenção plena. Existem uma série de técnicas (práticas) cientificamente comprovadas para com esse intuito (veja aqui algumas), conforme já discutimos em outros posts.
Mas hoje vou apresentar uma maneira simples de levarmos essa prática para a nossa rotina, chamadas de “micro-práticas” , ou pequenas práticas rápidas de mindfulness que são factíveis para usarmos nas situações desafiadoras do cotidiano.
A ideia é que sejam simples e possam efetivamente nos ajudar no dia a dia. Elas não substituem as práticas mais formais e longas de mindfulness, mas podem ser muito úteis para levarmos a atenção plena para qualquer momento do dia.
Essa micro-prática nos ajuda na monitorização e discriminação de pensamentos e emoções, o que é a base da inteligência emocional. É muito simples de fazer, veja os dois passos:
Aqui, podemos olhar para os pensamentos, sentimentos e emoções com uma certa distância de segurança (que chamamos de “descentramento”), ou seja, em necessariamente nos envolvermos com eles. Assim, é possível discriminar e decidir se são úteis ou não, ou como lidaremos com eles naquele momento.
Para isso a respiração é uma ferramenta chave, pois nos traz para o aqui e agora, evitando a reação no piloto automático, e permitindo a autogestão.
Vamos (micro)praticar?
Chade-Meng Tan. Busque Dentro de Você. Editora Novas Ideias, 2013
Para Saber Mais sobre Mindfulness
www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde – UNIFESP)
www.webmindfulness.com (WebMindfulness – Grupo de Pesquisa Coordenado pelo Prof. Javier García-Campayo – Universidad de Zaragoza, informações em espanhol)
www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação “Mindfulness” na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, informações em inglês)
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